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 A Canção do Silêncio

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AutorMensagem
Sumie
Tô na moita
Tô na moita


Mensagens : 1
Data de inscrição : 26/11/2009
Idade : 30

MensagemAssunto: A Canção do Silêncio   Sab Nov 28, 2009 12:12 am

Sinopse: Japão, 1930, cidade de Kioto. A chagada de um jovem e belo filho bastardo de uma nobre, porém misteriosa familia abala aos poucos a realidade de seus integrantes.
Até que ponto uma vingança deve ser levada até o fim? Qual a intensidade necessaria de luz para poder esvair as sombras do passado?
Classificação: +18
Categorias: Original
Gêneros: Yaoi, Lemon, Dark lemon
Autor: Sumie

A Canção do Silêncio

Prólogo


Era uma noite chuvosa, e pelos vidros das janelas podia-se ver o caótico movimento das arvores que pareciam dançar agitadamente uma musica que só elas ouviam. O menino tinha nove anos. Estava com medo. Não da chuva, não dos ruidosos trovões, não dos imensos corredores vazios da antiga mansão nos quais seus nervosos passos ecoavam como batidas de um coração. Era dele que tinha medo. Dele.

Há quase meia hora ouvira-o chegar, já fazia meses que não aparecia, e sempre quando isso acontecia o menino nutria a esperança de que não viria mais, de que sua mais recente visita seria a ultima.

Os hematomas do corpo de sua mãe já quase desapareciam, nas ultimas semanas ela até tinha se mantido um pouco mais sóbria e conversado com ele sobre coisas como as festas de final de ano que se aproximavam, chegara-lhe até a perguntar se ele queria um presente... Um presente... Será que já havia ganhado algum? Não conseguia lembrar.
Pode ver pela janela a carruagem dele se aproximando. Então depois ouviu o barulho que foi quando abriu a grande porta dupla de entrada e penetrou na sala, encharcado, bêbado, abraçado a uma moça jovem cuja roupa chamativa revelava ser de conduta promiscua.

Escondido no alto da escada a criança observava a tudo tremula e silenciosa. Quantas vezes sua mãe não havia lhe dito para não se aproximar quando aquele homem chegava? Quantas vezes havia lhe dito para não olhar. Mas ele não conseguia evitar. Olhando se sentia mais seguro, olhando tinha certeza de que o “monstro” manteria distancia de si.
Pouco mais de meia hora havia se passado desde que o vira na sala de entrada. Mas sabia onde ele estaria agora, era o lugar para onde sempre ia quando chegava, o maior quarto da casa, onde ele acreditava que sua mãe dormia, mas do qual ela se afastava assim que ele ia embora. Relutando consigo mesmo, sua coragem venceu sua consciência, e assim, a passos trêmulos e perdidos, vestindo apenas o blusão branco de linho com o qual dormia, ele caminhou até lá.
Já do corredor ele podia ouvir as risadas do pai, os gemidos da mãe e da outra mulher com quem ele viera. Seu coração acelerou descompassado e ele sentiu o ar lhe faltar. Quantas vezes já havia visto aquilo? Quantas vezes já havia vomitado a noite inteira ao lembrar das cenas nas quais sua mãe era submetida ao pior?
Mas, ainda assim...

O menino se arrastou tão silencioso quanto um réptil até a fresta da porta, e de lá, recebendo a luz que vinha de dentro do quarto viu aquele quadro horrível.

O homem estava nu sobre a cama e sua mãe – completamente bêbada, de quatro diante dele recebia-o por trás de maneira violenta enquanto a outra mulher era forçada a beijá-la na boca. Era horrível. Doloroso. Um sentimento forte de mais para caber no peito de uma criança. Ele podia sentir medo, dor por sua mãe estar ali, mas sempre o que mais lhe dominava era o ódio.

Aquele homem alto, de aparência tão bela e elegante, lhe parecia o mais horripilante dos bichos.

As posições foram se trocando, ele ia ordenando, passo a passo o que ambas deviam fazer. Oferecia objetos fálicos para que elas se introduzissem enquanto ambas tinham que engolir, quase sufocando seu sexo sempre ereto.
Como de costume, o menino sentiu a ânsia de vomito tomando conta de seu ventre. Afastou-se para trás movendo lentamente os pés, mas algo inesperado aconteceu. De tão tremulo e nervoso, ele tropeçou nas barras da camisola que vestia e caiu – para frente, escancarando assim o resto da porta e caindo no chão, diante deles.

Em toda sua vida, ele nunca poderia descrever o que sentiu dentro de si naquele momento. Medo... Não, não foi medo, foi pânico. Pânico no sentido exato da palavra. Ele não conseguiu se mover, não conseguiu se levantar, e a única coisa que poderia se lembrar de ter sentido foi um liquido quente escorrendo por entre suas pernas, molhando o linho de sua camisola e formando uma pequena poça sob si.

Quando aquele homem levantou-se da cama e começou a caminhar em sua direção, seu corpo começou a tremer de tal forma que suas mãos quase não mais sustentava parte de seu corpo. Ele não conseguiu levantar a cabeça, não conseguiu encará-lo. Sua mãe correu em sua direção assim que tomou consciência disso, porem foi recebida pelo homem com um violento e desmedido soco no rosto que causou um ruído sinistro seguido pelo som do impacto do corpo dela caindo no chão. A outra mulher, ainda imóvel, apenas observou.

O menino foi levantado por uma forte mão que ergueu-o pelo queixo, e a primeira coisa que viu foi o sorriso irônico no rosto do outro.

“Você...” Ele começou a murmurar “Sempre fica me vendo não é? Gosta de me ver... Fazendo essas coisas com sua mãe...” Então ele riu um pouco, erguendo o menino pelo braço e jogando-o com força sobre a cama. “Entendi você. Deseja participar... Estava com ciúme por seu pai deixá-lo de fora da diversão...”

A partir daquele momento a mente da criança travou. A única coisa que se repetia e se repetia em seus pensamentos era a palavra “pai”.

Como um pequeno boneco, seus músculos não se moveram quando sentiu aquelas grandes mãos puxarem e rasgarem violentamente suas roupas. Seus olhos não se fecharam quando o órgão ereto daquele homem foi introduzido com força em sua boca com movimentos rápidos que machucavam seu pescoço, sua garganta, sua alma.

Na beira da cama ele podia ver o tempo todo o rosto daquela mulher observando-o em silêncio. O homem dizia muitas coisas das quais ele nada entendia, tão suspenso estava seu raciocínio. Até que foi desperto por seus próprios gritos. Sentiu suas pernas serem abertas com força, e algo quente avançava na direção de suas nádegas. Então começou a empurrar e empurrar mais até que a dor se tornou insuportável, de maneira que não pode controlar a própria voz, e pegou-se aos berros e choro, sentindo-se rasgado, atravessado, algo terrível.

Sua espinha, seu pescoço, tudo latejava em uma dor antes inimaginável, e ao longe, o som das risadas daquele homem ecoavam em sua cabeça. Até que tudo foi ficando distante e meio esbranquiçado. O ar foi ficando rarefeito, e seu peito se tornou pesado e incomodo. Então tudo ficou escuro, e ele morreu.

Bem, pelo menos foi por isso – pela morte, que ele desejou intensamente.
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